quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Nada

Estes são os meus olhos.
Esta sou eu…
Um ser reservado sem Nada e com coisa nenhuma.
A minha mão é o coração, vazio, quase que inexistente.
É tudo aquilo sou.
Mas, nem sempre foi assim.
No dia em que descobri o Tudo.
Senti-me realizada.
Tudo fazia-me existir, preenchia-me o Nada que era.
Mostrou-me que ser Nada, não quer dizer que não possa ser alguém.
Sorri.
Transformei-me em algo que nunca pensei ser.
A conjunção do meu Nada com o Tudo que ela era cria-mos um Mundo.
O nosso Mundo, que acabou por ser erradicado pelo diabo.
Tudo, perdeu-se por completo.
Energúmeno era a melhor palavra que o descrevia.
Abandonou-me e ao Mundo sem qualquer explicação.
Precisei de olhar para o Mundo, pois não acreditava.
E com os meus olhos assim o vi.
Lavei-me de Tudo o que me ainda ocupava.
E acabei assim.
Sem coisa nenhuma.

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